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Braga. Ricardo Rio considera “medida eleitoralista” alargamento “apenas ao Porto” da candidatura

O presidente da Câmara de Braga acusou hoje o Governo de ter adotado uma “medida eleitoralista” ao reabrir o processo de candidatura à Agência Europeia do Medicamento de forma a incluir “apenas ao Porto”, para além de Lisboa.

Ricardo Rio considerou que o “alargamento” apenas ao Porto “parece uma reação clara” às iniciativas do vereador socialista da autarquia portuense, Manuel Pizarro, que é também candidato à presidência da Câmara do Porto nas eleições de outubro.

O processo de candidatura de Portugal a acolher a Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla inglesa) vai ser reaberto de forma a incluir também a cidade do Porto, disse hoje fonte oficial do Ministério da Saúde.

“Não podemos deixar de manifestar essa estranheza por, sem critérios objetivos, sem grande transparência, ter procedido a este alargamento apenas ao Porto. Quase diríamos que depois de todas as posições públicas assumidas do próprio presidente da Câmara do Porto, isto parece uma reação clara às iniciativas do vereador Manuel Pizarro”, afirmou Ricardo Rio.

Segundo o autarca bracarense, “não se pode deixar de ver nesta decisão uma medida eleitoralista”, deixando nesse sentido críticas ao PS bracarense.

“Também achamos que Braga não pode ser penalizada por ter uma estrutura local do PS inexistente”, considerou.

Ricardo Rio voltou a defender que Braga “têm capacidade para responder aos requisitos que já têm vindo a público, conjuntamente com todos os agentes da região” e salientou a importância de receber uma estrutura como a EMA para a região.

“Esta abertura à inclusão do Porto nesta candidatura é disfarçar aquilo que é a tendência natural deste e dos anteriores governos, de não olharem para o todo nacional e não perceberem o impacto que uma opção deste género poderia ter para o desenvolvimento de um território que, verificados os requisitos, teria muito a ganhar ao receber uma estrutura destas”, referiu.

De acordo com uma nota do ministério, o Governo decidiu reabrir o processo de candidatura, referindo que só o Porto, a par de Lisboa, “parece reunir condições para uma candidatura muito exigente e competitiva em termos europeus”.

“Neste contexto, o Governo tomou a iniciativa de contactar a Câmara Municipal do Porto para que a cidade se associasse, no âmbito da Comissão de Candidatura Nacional, ao processo de avaliação que irá decorrer à luz dos critérios oficiais definitivos”, lê-se na nota.

Os “critérios definitivos” para a nova localização da EMA, que vai deixar Londres por causa da saída do Reino Unido da União Europeia, serão definidos num conselho europeu que vai decorrer a 22 e 23 de junho e as candidaturas devem ser oficialmente apresentadas até final de julho, esclarece o ministério.

A mesma nota lembra que “no final de 2016, à luz dos requisitos pré-definidos pela Agência, foi considerado que Lisboa seria a cidade que reunia, à partida, as melhores condições para uma candidatura ganhadora” e que esta candidatura foi aprovada pelo Conselho de Ministros de 27 de abril, a que se seguiu um voto de saudação, aprovado por unanimidade, pela Assembleia da República a 11 de maio.

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